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2003: Cruzeiro conquista a tríplice coroa em um ano mágico

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Cruzeiro foi campeão em todos os campeonatos que disputou e de quebra fez a melhor pontuação até hoje do Brasileirão de pontos corridos

O ano ainda era 2002, mas foi o estopim para que o Cruzeiro começasse a arrumar a casa para a próxima temporada, já que no ano corrente o time Celeste não foi à altura do que de costume, nono colocado no Brasileirão, ficando de fora do mata-mata perdendo a vaga para o Grêmio, onde os Cruzeirenses acreditavam em entrega de jogo por parte do Clube Atlético Mineiro para prejudicar o rival.

Não bastasse as eliminações para a Libertadores de 2003, Cruzeiro havia perdido os dois caminhos para o torneiro mais importante da América do Sul: eliminado pelo Corinthians nas oitavas de final da Copa do Brasil e o maior desespero perdeu nos pênaltis para o Paysandu pela Copa dos Campeões. Estava sinalizado para a Raposa que mudanças teriam que serem feitas.

Mudanças aconteceram ainda em 2002

O primeiro passo da diretoria foi trazer um técnico de ponta para substituir o então treinador Marco Aurélio. Em agosto de 2002 desembarca em Belo Horizonte o comandante Vanderlei Luxemburgo, trocando o Palmeiras pelo Cruzeiro, motivo pelo qual participaria na formação do time para a próxima temporada.

O professor indicou e apontou reforços que faria do Cruzeiro um time competitivo para disputar os campeonatos de 2003 e assim a torcida pôde ver chegar na Toca da Raposa, nomes como: o lateral-direito Maurinho (ex-Santos, campeão brasileiro em 2002), do zagueiro Edu Dracena (ex-Olympiacos-GRE), do meio-campo Martínez (ex-Guarani) e dos atacantes Aristizábal (ex-Vitória), Deivid (ex-Corinthians, campeão da Copa do Brasil em 2002) e Mota (ex-Ceará), fazendo da Raposa um time perigoso, letal e o resultado veio logo no primeiro compromisso, o Campeonato Mineiro.

Campeonato Mineiro 2003

Com um formato de pontos corridos e nada habitual em campeonatos estaduais, o Campeonato Mineiro contou com 13 equipes com jogos entre eles de janeiro a março em fase única e após a décima segunda rodada o Cruzeiro sagrou-se campeão invicto com dez vitórias e dois empates, somando 32 pontos sendo campeão na décima primeira rodada, onde venceu o URT em Patos de Minas por 4 a 0 com gols de Deivid, Aristizábal, Alex e Maurinho.

O meia Alex foi o artilheiro do Campeonato Mineiro com 9 gols e começava ali a ser o protagonista do ano mágico dele e do Cruzeiro, razão pelo qual foi apelidado pelos torcedores da Raposa como o “talento azul”.

Copa do Brasil

Já em meados de fevereiro de 2003 teve o início da Copa do Brasil, competição que o Cruzeiro tinha três conquistas: 1993, 1996 e 2000. Assim o time Celeste, e seu comandante “pofessô” Vanderlei Luxemburgo assim chamado carinhosamente pelos seus comandados iam em busca do tetracampeonato.

O primeiro compromisso foi contra o Rio Branco-ES no dia 19 de fevereiro e a Raposa venceu por 4 a 2 eliminando o segundo jogo, já que na regra dizia que na primeira fase uma vitória por dois ou mais gols do time visitante, não jogariam a segunda partida de volta.

Na próxima fase a Raposa enfrentou o Corinthians-RN, que não deu mole para a equipe Celeste e conseguiu um empate de 2 a 2 em seu Estádio Senador Dinarte Mariz. Mas no jogo de volta no Mineirão, o Cruzeiro não tomou conhecimento e não quis brincadeira e aplicou uma sonora goleada por 7 a 0 classificando-se às oitavas de final.

Seu adversário agora era o Vila Nova-GO e em sorteio o primeiro jogo foi no Estádio Magalhães Pinto “Mineirão”. O Cruzeiro conseguiu um resultado relativamente bom, pois venceu e equipe Goiana por 2 a 0 e no jogo de volta no Estádio Serra Dourada venceu novamente os donos da casa por 2 a 1 e chegava às quartas de final da Copa do Brasil.

Primeiro grande desafio do Cruzeiro na competição: Vasco da Gama. O time Cruz de Malta era o responsável a frear o embalado time Celeste e o primeiro confronto foi no Mineirão e o resultado foi 2 a 1 pra Raposa. No Estádio São Januário lotado a Raposa jogava pelo empate, mas fez um primeiro tempo excelente, com várias tentativas de gols sendo salva pelo goleiro Fábio, ele mesmo que no ano seguinte viria para o Cruzeiro e tornaria ídolo do clube e até hoje é o titular e jogador que mais vezes vestiu a camisa do time Celeste.

Mas Alex conseguiu furar o bloqueio do jovem goleiro Fábio e levou a vantagem fazendo 1 a 0 para o Cruzeiro no primeiro tempo. Já no segundo tempo e com a expulsão do volante Augusto Recife o Cruzeiro se trancou e o Vasco da Gama pressionou até fazer o gol de empate com Souza e assim precisava de mais um gol para levar a disputa para pênaltis, mas ficou no 1 a 1 mesmo e a Raposa chegava às semi finais.

Agora o adversário era outro time Goiano, o Goiás que teve o primeiro confronto no Estádio Serra Dourada. O Cruzeiro venceu por 3 a 2 e levou para Belo Horizonte uma certa vantagem. No jogo de volta a equipe Celeste venceu por 2 a 1 e postulou como o favorito ao tetracampeonato da Copa do Brasil.

Porém do outro lado tinha nada mais, nada menos que o Flamengo, time de maior torcida do Brasil e postulava como candidato a parar a “máquina azul”. O primeiro jogo aconteceu no Rio de Janeiro no Estádio Maracanã e Alex fez um gol antológico, depois de um cruzamento finalizou de letra fazendo 1 a 0 para o Cruzeiro e Fernando Baiano empatou nos minutos finais para o Flamengo, mas a Raposa levava pra casa a vantagem do empate por 0 a 0.

No jogo de volta com um Mineirão com quase 80 mil torcedores o Cruzeiro foi massacrante contra o Flamengo, logo no inicio do jogo, David de cabeça fez 1 a 0, pouco depois aos 16 minutos em cobrança de falta, Alex botou a bola na cabeça de Aristizábal que fez 2 a 0. Resultado que deixava o Cruzeiro mais tranquilo em campo, mas ainda no primeiro tempo aos 28 minutos em novo cruzamento que era mais um passe, Alex achou a cabeça do zagueiro Luisão que fez 3 a 0.

No segundo tempo o Cruzeiro administrou o jogo, Fernando Baiano novamente descontou aos 18 minutos dando números finais ao placar: 3 a 1. Com este resultado a Raposa conquistava o tetracampeonato da Copa do Brasil e mostrava que seria um dos postulantes ao título do Brasileirão de 2003.

Flamengo x Cruzeiro: relembre a final da Copa do Brasil de 2003 ...

Campeonato Brasileiro 2003

O Campeonato Brasileiro começou em março com 24 clubes disputando o título nacional, o Cruzeiro seguia invicto no ano mas não era o único postulante ao título e logo na sua estréia empatou com o São Caetano em 1 a 1 no Estádio Mineirão deixando um certo amargo e dúvidas com o seu desempenho na competição.

Mas foi um susto apenas e a Raposa começou a vitimar os adversários engrenando uma série de vitórias dentro ou fora de casa: São Paulo, Ponte Preta, Coritiba e Goiás até que em 25 de maio a invencibilidade do Cruzeiro acabou. Foi derrotado no Estádio Barradão pelo Vitória por 2 a 1.

Para quem achou que a invencibilidade iria abalar o time Celeste, estavam redondamente enganados, a não ser para o Santos, atual campeão e na cola do líder do Brasileirão preparou-se para o primeiro duelo entre os dois no Estádio Vila Belmiro, mas os comandados de Vanderlei Luxemburgo não teve piedade e dó dos Alvinegros e decretaram o triunfo da Raposa por 2 a 0. Começava ali a se desenhar e abrir o caminho para a conquista do título que não conseguia desde 1966, quando foram campeões nacionais pela primeira vez última, exatamente contra o Peixe com o famoso time de Tostão, Dirceu, Natal, Raul, Wilson Piazza e companhia.

Tudo corria a mil maravilhas, nem os tropeços conseguiam abalar o time Celeste, até que no meio do ano o seu artilheiro Deivid deixou o clube rumo ao exterior, mas o jovem Mota não decepcionou e brilhou como substituto. Outros jogadores sairam também como Marcelo Ramos, Luisão e Jussiê, mas a diretoria agiu rapidamente trazendo os reforços: Maldonado, Felipe Melo, Zinho e Márcio Nobre, além de promoverem os jovens jogadores da base Irineu e Gladstone.

Mas a euforia continuava forte na Toca da Raposa II e o Mineirão continuava lotado com os fanáticos Cruzeirenses cantando e apoiando o time Celeste em seus jogos. Já na reta final do campeonato uma suposta decisão antecipada: Cruzeiro x Santos. Agora o jogo era no Mineirão e o Cruzeiro não deixou dúvidas nenhuma sobre o título brasileiro, venceu com méritos por 3 a 0 e se não fosse a atuação fantástica do goleiro Alvinegro Fábio Costa, o placar poderia ser mais elástico.

O Cruzeiro disparou na liderança e ao contrário os ânimos Santistas foram por água abaixo até chegar o jogo contra o Paysandu, aquele mesmo que desclassificou a Raposa em 2002 na Copa dos Campeões nas penalidades máximas.O time Celeste fez a sua parte com mais de 70 mil torcedores e venceu por 2 a 1 com gols de Zinho e Mota e Aldrovani diminuindo para o Papão.

O título de campeão estava garantido e a Tríplice Coroa seria estampada nas camisas, bandeiras e logomarcas do clube até os dias de hoje quando pelos altos falantes do Estádio Mineirão anunciavam a derrota do Santos por 3 a 0 para o Goiás no Serra Dourada. A taça viria no próximo jogo contra o Fluminense no Estádio Mineirão e o Cruzeiro não fez por menos, goleou o Tricolor Carioca por 5 a 2.

Cruzeiro Esporte Clube

 

Algumas curiosidades da equipe em 2003

O Cruzeiro no fim do campeonato e ano de 2003 não deixou dúvidas nenhuma que foi o melhor time, assustando os adversário e empolgando os torcedores Cruzeirenses. As marcas estão aí para confirmar, o clube possuía o melhor ataque, melhor saldo, mais vitórias e menos derrotas, teve a maior goleada e uma das maiores dentro do Brasileirão, 7 a 0 no Bahia com Alex fazendo 5 gols na Fonte Nova. Marcou 102 gols e sofreu 47 batendo a marca e recorde até então de ataque mais efetivo, somando 100 pontos na tabela, 13 pontos a mais que o vice-campeão Santos.

Alex foi o seu maior artilheiro com 24 gols em edição de Brasileirão e comandou o time desde o Campeonato Mineiro, Copa do Brasil e coroando com a “cereja do bolo” a Tríplice Coroa em 30 de novembro de 2003 escrevendo um capitulo inédito e deixando sua marca dentro do clube, sendo comemorado até os dias de hoje e até Dirceu Lopes um dos ídolos Celeste, rendeu elogios e o considera como o maior dono da camisa emblemática 10 da Raposa. Nada mau para Alexsandro de Souza, o Alex “talento azul”.

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