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O fracasso do Bangu na “Operação Loco Abreu”

Divulgação/Bangu

Loco Abreu disputou dez partidas pelo Bangu, marcando apenas três gols, além desperdiçar duas das três cobranças de pênaltis que teve a oportunidade ao longo da competição

No fim de novembro, o Bangu anunciou como reforço para o Campeonato Carioca o atacante uruguaio Loco Abreu, que jogou no Brasil pelo Grêmio, Figueirense e Botafogo, onde é ídolo, além de jogar duas copas pela sua seleção. Com 40 anos, Loco foi uma das táticas de colocar o alvirrubro de volta ao cenário nacional, com isso, o clube lançou no mercado uma proposta de ocupação do espaço nobre de sua camisa para o essa temporada, já que também jogará o Campeonato Brasileiro da Série D.

Com o Loco, o departamento de marketing do time bolou várias ideias que para o pensamento deles daria lucro a instituição.  As ideias seria vender o espaço por R$ 400 mil pela temporada, oferecendo outras propriedades, dando visibilidade ao patrocinador como placas no estádio de Moça Bonita e no Centro de Treinamento do time da zona norte do Rio e dando direito a banners nas redes sociais e no site oficial do Bangu, além de oferece backdrop na sala de entrevista coletiva, 20 ingressos cortesia por partida e envelopamento do ônibus do time, desde que respeitadas as cores do clube, tudo na imagem do uruguaio.

Chegando final de dezembro, Loco foi apresentado e outra ideia da diretoria seria a venda de camisas do clube, juntando a idade do clube e a camisa do uruguaio, se tornando 113. Na sua apresentação, o Bangu vendeu 350 camisas em um mês, 50% de todo o estoque vendido em 2016. Além da venda de camisas, foi lançado o programa de sócio-torcedor “Partiu Bangu”, custando R$ 29,90 com objetivo de ter mil torcedores em dois meses e a própria plataforma de venda na internet, criando novas receitas para não depender das cotas de TV, que então era a única fonte de renda do clube. A sua apresentação foi transmitida ao vivo da página do Esporte Interativo no Facebook, chegando a 205 mil visualizações, mostrando o interesse do fã de esporte ao uruguaio. Chegando 2017, foi criado a “Operação Loco Abreu”, onde o time conseguiu atrair a atenção da mídia, melhorou a média de público e fez o clube vender centenas de camisas como não vendia há tempos, mas nem tudo são flores e o Campeonato Carioca começou e daí veio a parte técnica.

Na estreia do Bangu contra a Portuguesa em Moça Bonita, festa da torcida, bom público, mas veio o empate, com direito a gol do Loco na estreia com a camisa do time, depois vieram as derrotas para Vasco (em casa) e Fluminense (fora) e o empate com o Volta Redonda. Sem vitória nas quatro primeiras rodadas, o Bangu demitiu o técnico Eduardo Allax e em seu lugar trouxe Arturzinho, jogador do clube nos anos 80 e ídolo, que deu a primeira vitória do time na Taça Guanabara contra a equipe do Resende, porém ficou pouco tempo no comando, pedindo demissão após a derrota para o Nova Iguaçu no Quadrangular Extra por questões internas, onde comentaram nos bastidores que o técnico teria discutido com uruguaio.

Veio a Taça Rio e com Roberto Fernandes no comando, o Bangu novamente passou vexame, com três derrotas, um empate e uma vitória, esquentando o clima em Moça Bonita, com os torcedores protestando durante os jogos e muitas vezes gritaram o nome do ex-comandante, criticando o atacante uruguaio. Restando duas rodadas para o fim da Taça Rio, o Bangu estava brigando para não ir a seletiva, o público diminuiu e Loco Abreu acabou rescindindo seu contrato com a equipe, não atuando na vitória contra o Macaé e a derrota para o Madureira, voltando para o Uruguai, jogando de graça em um clube da segunda divisão.

Loco Abreu disputou dez partidas pelo clube, marcando apenas três gols, além desperdiçar duas das três cobranças de pênaltis que teve a oportunidade ao longo da competição, o  projeto de marketing não teve sucessos e segundo os bastidores deverá ser cancelado, além disso, o clube perdeu o patrocinador máster após a saída do uruguaio e não ganhou novos torcedores e nem trouxe os moradores do bairro de volta ao estádio. Além disso, perderá dois milhões dos quatro da TV para o Estadual ano que vem devido a décima colocação do time esse ano.

Todo projeto em cima do atacante uruguaio foi por água abaixo. O time não fez um elenco a altura para conseguir conquistar novos torcedores, contratou mais dois estrangeiros que não atuaram no time, ficou a espera do Almir, que continua em recuperação e com chances de encerrar a carreira e dependeu de um elenco fraco para fazer vergonha no estadual, justamente no ano que a equipe volta a disputar uma competição nacional depois de anos, onde será iniciado no mês que vem contra o Villa Nova-MG.

Agora a diretoria precisa de novos rumos se quiser fazer bonito no campeonato tem planejado, pois tudo que fizeram para trazer o Bangu de volta ao cenário nacional, deu errado, mas espero que isso sirva de exemplo para que não se repita no segundo semestre e que coloque o time na Série C de 2018 com um planejamento mais sério e sem “achismo”.

Fährmann

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