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Especial: Santos conquista o tri da Libertadores

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Após 48 anos de espera, o alvinegro praiano voltou a conquistar o continente


Toda história tem sua pré-história, a conquista do tricampeonato do Santos na libertadores de 2011 não foi diferente. Em 2010 o Santos iniciou a temporada com sérios problemas, após escapar do rebaixamento o time enfrentava uma crise financeira, empréstimos com juros altos, salários atrasados, FGTS dos jogadores não sendo depositados, entre outras coisas.

Todo esse cenário trazia no horizonte uma perspectiva de debandada de alguns atletas, incluindo Neymar e Ganso, as duas grandes revelações da casa. A reviravolta se deu através do novo Presidente, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, que buscou caminhos de alívio financeiro, diminuindo juros, alongando prazos e obtendo recursos para pagar salários. Com um horizonte mais otimista, o Santos manteve suas jóias, buscou Robinho e montou uma das equipes mais divertidas que vimos, o Santos de 2010, campeão paulista e campeão da Copa do Brasil.

Neymar e Ganso se firmaram como protagonistas de um time vencedor, ou seja, entraram 2011 mais maduros e preparados para um ano de Libertadores, onde não contariam com o já experiente Robinho.
O início da campanha foi complicado, faltando 2 jogos para o fechamento da fase de grupos o Santos tinha conquistado apenas uma vitória, dois empates e uma derrota. O quinto jogo era contra o Cerro Porteño no Paraguai, estréia de Muricy Ramalho como técnico na competição, vindo de uma fase ruim pelo Fluminense.

A volta de Muricy Ramalho ao Santos/ Imagem: Lance!


O peixe precisava da vitória fora de casa e fez por onde conquistá-la. Logo aos 11 minutos do primeiro tempo, o lateral Danilo, hoje jogador da Juventus, protagonizou uma bela jogada individual no meio de campo, se livrando de dois adversários e disparando uma bomba de fora da área, abrindo o placar e dando mais tranquilidade a equipe. No segundo tempo tivemos um início ainda mais promissor, com um gol de Maykon Leite no segundo minuto dessa etapa, ele que teve uma atuação extremamente participativa pelos lados do campo, em velocidade. No último minuto da partida Benitez marcou para o Cerro, mas já era tarde e a vitória da equipe brasileira estava selada.

Assim, o Santos entrava em campo na última rodada precisando de uma vitória para que não dependesse de outros resultados, seu adversário era o já eliminado Deportivo Táchira, da Venezuela. Pela 6 rodada, Santos e Deportivo Táchira se encontraram no Pacaembu, sem muito mistério a equipe paulista venceu o jogo por 3 a 1, numa ótima partida de Neymar que contribuiu com 1 gol no primeiro tempo e com uma jogada brilhante no gol de Danilo na metade do segundo tempo. Com 11 pontos em 6 partidas, o Santos terminou a fase de grupos como o melhor segundo colocado.


Oitavas de final contra o América do México


Jogo 1 (casa)

No primeiro confronto pela vaga nas quartas de final, o Santos fez uma partida muito segura defensivamente, evolução que era esperada por conta das virtudes conhecidas de Muricy Ramalho. Além disso a equipe paulista contou com inspirada noite de seu camisa 10, em jogada iniciada por Neymar, Ganso acertou um belo chute rasteiro no canto do goleiro Ochoa, o único gol da partida. Vale também ressaltar o ótimo papel ofensivo desempenhado por Danilo desde o ínicio da competição.

Santos contra o América do México


Jogo 2 (fora)
Na partida de volta o Santos assumiu uma postura defensiva, criou poucas chances através da bola parada e viu sua tentativa de retranca ser superada durante toda a partida. A grande chave da vitória foi o goleiro Rafael, em uma noite icônica o jovem goleiro foi o grande responsável pela classificação. Em uma das partidas mais difíceis da caminhada rumo ao tri, o arqueiro santista foi exigido inúmeras vezes e fez pelo menos 5 defesas difíceis.



Quartas de final contra o Once Caldas


Avançando para as quartas, o Santos enfrentaria o Once Caldas, vencedor do duelo contra o Cruzeiro e segundo colocado do grupo 1. Além da altitude, enfrentariam a ausência de Paulo Henrique Ganso, com uma lesão no músculo reto da coxa direita.


Jogo 1 (fora)
Santos e Once Caldas fizeram uma partida equilibrada na Colômbia. O primeiro e único gol da partida começou nos pés de Neymar, que com muita serenidade entrou da esquerda para o centro, desestabilizando a linha defensiva do Once Caldas e com um belo passe encontrou Alan Patrick em excelente condição para finalizar, aos 42 do primeiro tempo. Dessa forma, o Santos conquistou uma vitória valiosa fora de casa e decidiria o jogo de volta em seus domínios.

Santos contra o Once Caldas

Jogo 2 (casa)
No Pacaembu, o Santos abriu o placar aos 11 do primeiro tempo. Com jogada iniciado por Danilo, a bola sobra na entrada da área pela esquerda e cai nos pés da jóia santista, Neymar foi simples, objetivo e brilhante, dominou a bola e com uma batida seca no canto eliminou qualquer chance de defesa. Tudo isso aos 19 anos de idade e disputando a maior competição do continente. Depois disso, falta para o Once Caldas, levantamento para a área e com um desvio de cabeça a bola sobra para Renteria na cara do gol, que sozinho, marca com tranquilidade, jogo empatado.

E o Santos seguiu sendo melhor em campo, criando mais e com qualidade, Neymar em uma noite brilhante seguiu contribuindo com muita objetividade, sofreu pênalti em grande jogada porém teve a batida defendida por Neco Martínez. Junto dele, tivemos Elano sendo muito participativo nas principais jogadas ofensivas, porém, com três chances claras perdidas por Zé Eduardo, a partida terminou empatada, sendo o suficiente para a classificação da equipe paulista.



Semifinais contra o Cerro Porteno

 


Jogo 1 (casa)
A equipe de Muricy Ramalho mostrou maturidade durante a partida, jogadas coletivas bem amarradas mas ainda pecavam no número de chances desperdiçadas. Como em toda a competição, Neymar mostrava sua facilidade em jogar futebol, foi dele a jogada do único gol da partida, deixando 3 defensores para trás na lateral da área e cruzando uma bola venenosa para a boa impulsão de Edu Dracena, Santos 1×0. O Santos seguiu criando, o goleiro Rafael foi exigido algumas vezes, Arouca executou um bom trabalho no meio campo e a partida terminou assim, vantagem mínima para o segundo jogo.


Jogo 2 (fora)
Em uma partida de 6 gols, tivemos a redenção de Zé Eduardo, que perante um estádio rival lotado e iluminado, abriu o placar com seu primeiro gol em quase 3 meses de jejum. Ainda no primeiro tempo o goleiro Barreto deu um gol de presente para o Santos, em seguida um gol de cabeça de Iturbe e um gol de contra ataque de Neymar, assim se encerrava o primeiro tempo, 3 a 1 para a equipe brasileira, uma boa vantagem. Aos 15 da segunda etapa, Juan Lucero diminuiu a vantagem e a equipe Paraguaia ganhou força na partida. Chegando na parte final do jogo, Fabbro converteu um dos gols mais bonitos da competição, após tirar Adriano e Possebon em uma jogada espetacular, experimentou de fora da área e foi muito feliz, bola no ângulo e partida empatada. O Cerro precisava de mais dois gols para se classificar, mas o Santos conseguiu se defender bem e garantir a vaga na final.


Final contra o Penarol


Jogo 1 (fora)
O Santos foi até Montevidéu pela primeira partida da grande final, nunca é fácil enfrentar o Peñarol fora de casa, ainda mais com a ausência de Paulo Henrique Ganso que ainda não estava apto. A partida foi aberta, com boas chances para os dois lados, tanto no primeiro como no segundo tempo, não tivemos grandes destaques entre os jogadores de linha, porém, os goleiros de ambas equipes fizeram boas defesas e entre elas tivemos um milagre operado por cada um. Aos 40 do segundo tempo, Alonzo abriu o placar da final, mas em posição irregular, marcado de forma correta pelo bandeirinha. Santos e Penãrol ficaram no 0 a 0, agora o peixe dependia de um resultado mínimo para se sagrar campeão da América.




Jogo 2 (casa)


Dia da grande final, dia do tri. Para essa decisão o Santos contou com a volta de Ganso, fator que trouxe ainda confiança para a torcida santista que cercava o ônibus dos jogadores , uma festa muito bonita com luzes e cantoria, o clima era aquele esperado para uma final tão grandiosa. O Santos foi superior durante a primeira metade, criou muitas chances que deram trabalho para o goleiro Sosa, com destaque para Elano que através de um chute de longa distância e de uma falta batida com precisão, ficou muito perto de abrir o placar. Logo no início da etapa final, Arouca começa uma jogada histórica arrastando a bola de traz do meio campo, passa de um marcador, tabela com Ganso que devolve de letra, segue na explosão tirando dois defensores e encontra Neymar vindo da esquerda, entrando na área, o camisa 11 pega de primeira e coloca a bola rasteira no canto do goleiro, 1 a 0 Santos.

Aos 19 anos de idade, a jóia brasileira chega aos 6 gols na competição, sendo decisivo em cada fase. A pressão seguiu em simbiose com a festa da torcida, e aos 23 minutos, Danilo, sendo novamente efetivo no ataque, recebe pela direita, invade a área e chapa no canto com perfeição, o Santos chega ao segundo gol na partida e colocava uma mão na taça. O Peñarol tentava o que podia mas a equipe Santista era claramente superior, em um desvio de rota, Durval acabou fazendo um gol contra, ele que foi impecável durante o torneio. O Santos ainda teve mais duas chances claras, Zé Eduardo perdendo mais um gol e uma bola na trave de Neymar.


O árbitro aponta para o meio de campo, a confusão se estabelece no gramado mas o que importa é que, após 48 anos de espera o Santos se torna três vezes campeão da Ámerica, a equipe brasileira com mais títulos juntamente com São Paulo e atualmente o Grêmio. O título que faltava ao técnico Muricy Ramalho e a constatação do grande gênio, Neymar. Da cabine, Pelé assistia sua passagem de bastão, uma nova geração vitoriosa e um novo ídolo se estabelecia no alvinegro praiano.


’ Sou alvinegro da Vila Belmiro
O Santos vive no meu coração
É o motivo de todo o meu riso
De minhas lágrimas e emoção’’

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