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Opinião: Opção por treinadores ultrapassados atrapalha o avanço do futebol brasileiro

A opção por repatriar treinadores medalhões e as más administrações financeiras quebram times com ótimos potenciais

Na última semana, o Palmeiras corria atrás de um novo treinador. O nome mais especulado era o do argentino Jorge Sampaoli, que estava no Santos e fez um grande trabalho por lá. Entretanto, após não chegar a um acordo com o argentino, o Verdão fechou com Vanderlei Luxemburgo.

O Vasco, que perdeu Luxemburgo para o Palmeiras, contratou Abel Braga, que fez péssimos trabalhos em 2019. O Cruzeiro, durante o Campeonato Brasileiro, encerrou um trabalho de três anos com Mano Menezes para trazer o jovem e bom Rogério Ceni, que não durou nem dois meses no comando do clube.

A realidade é que os dirigentes brasileiros não sabem para onde ir e nem têm interesse em acabar com a dança das cadeiras dos técnicos. Qual motivo técnico para o Palmeiras ir atrás de Luxemburgo, se não for pelo seu passado vitorioso?

Muito se falou sobre o grande trabalho feito pelo treinador no Vasco. Porém, foi isso tudo mesmo?

Luxa assumiu o Vasco a partir da 5ª rodada, quando o clube estava em último lugar. Levar a equipe de último para 12º é sempre um grande feito. Mas suficiente para tantos elogios?

Em alguns jogos foi possível ver o dedo tático do treinador, como nas vitórias diante do São Paulo e Grêmio (marcação por encaixe que anulou os adversários) e no empate contra o Flamengo (anulou Éverton Ribeiro e fechou o espaço na intermediária), onde as estratégias do treinador claramente foram decisivas nos resultados do time.

Com isso, não estou aqui para escrachar Luxemburgo, apenas para indagar: como um treinador que venceu apenas 35,29% de seus jogos fez um trabalho tão espetacular assim?

Foram 34 jogos, com 12 vitórias, 12 empates e 10 derrotas.

Antes de assumir o Cruzmaltino, o último trabalho de Luxemburgo tinha sido no Sport, onde até começou bem. Porém, após uma queda vertiginosa, foi demitido. Venceu apenas 32,35% dos jogos pelo Leão, totalizando 11 vitórias em 34 jogos. No Cruzeiro, em 2015, venceu apenas seis jogos em 19 partidas (31,58%).

O seu último título conquistado foi um Campeonato Pernambucano com o Sport, em 2017. De expressão, o último grande título foi Campeonato Brasileiro em 2004, pelo Santos.

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Abel Braga foi apresentado no Vasco nesta quarta-feira (18) (Foto: Rafael Ribeiro / Vasco da Gama)

Já em relação a Abel Braga, o problema é muito mais embaixo.

Pelo Cruzeiro, Abel venceu apenas quatro jogos em 15. O treinador teve participação importante no rebaixado do clube mineiro.

No Flamengo, tem bons números, mas muito por causa do Campeonato Carioca. Na Libertadores, quase foi eliminado na fase de grupos, conseguindo a classificação apenas com um empate apertado fora de casa contra o Peñarol.

O último troféu importante ganho por Abel Braga foi o Brasileirão em 2012, há sete anos.

A opção por técnicos retrógrados e conservadores é normal entre os dirigentes. Difícil é traçar um planejamento e bancar um treinador, como o Fortaleza faz com Rogério Ceni, ou o Athletico fez por muito tempo com Tiago Nunes.

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Rogério Ceni é o técnico mais vitorioso da história do Fortaleza (Foto: Júlio Caesar/O POVO)

Alguns clubes fogem à regra, como o próprio Athletico Paranaense, que depois de perder Tiago Nunes, tem paciência para trazer um novo treinador. Nenhum medalhão com péssimo histórico recente é especulado no clube. O Santos e Corinthians também fogem à regra quando vão procurar jovens treinadores que possuem o perfil do clube, respectivamente ofensivo e defensivo.

Não precisa ser necessariamente estrangeiro e caro, como Jorge Jesus ou Sampaoli. Existem ótimos nomes no mercado sul-americano e brasileiro. A questão, é que é preciso analisar e mapear o mercado. Algo que os departamentos de futebol não costumam fazer, por isso trazem treinadores caros, com multas altíssimas, criando dívidas milionárias. O mesmo acontece na contratação de jogadores medalhões.

É preciso e necessário acontecer uma renovação no comando dos clubes. E isso começa de baixo para cima, dos presidentes ao treinadores. Do dirigentes aos jogadores.

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