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Carpini comemora vitória em clássico: “É mais um tabu que a gente quebra”

Carpini

Guarani não derrotava rival desde 2012

No último jogo antes da paralisação por conta da pandemia do coronavírus, o vazio Brinco de Ouro da Princesa recebeu o clássico entre Guarani e Ponte Preta, pela 10ª rodada do Paulistão 2020. Mesmo sem a presença de torcida no estádio, a rivalidade e a tensão entre as duas equipes foram perceptíveis desde o início, e não faltou emoção no derby campineiro de número 196. A lanterna Ponte terminou o primeiro tempo com 2 a 0, mas o valente Guarani, do técnico Thiago Carpini, fez valer o favoritismo inicial e construiu uma bela virada na segunda etapa para encaminhar a classificação para o mata-mata de um campeonato cuja continuação ainda é incerta.

PORTÕES FECHADOS NÃO IMPEDEM FESTA DA TORCIDA DO GUARANI E NEM CONFUSÃO FORA DO ESTÁDIO

Mesmo com todas as recomendações para evitar aglomerações, e desse modo ajudar a conter a propagação do vírus, a paixão falou mais alto. Os torcedores do Bugre compareceram em peso e incentivaram o time do lado de fora do estádio. Quando a bola rolou, eles aproveitaram o telão colocado próximo ao estádio e lotaram os bares das proximidades. A diretoria do Guarani, ciente da importância de criar uma atmosfera mais condizente com o tamanho do duelo, optou por utilizar cantos da torcida no sistema de som do estádio.

Infelizmente, nem o policiamento reforçado com helicópteros acalmou os ânimos de alguns torcedores de ambos os times, que entraram em conflito. Alguns dos vândalos foram levados ao 1º Distrito Policial de Campinas.

PONTE APROVEITA CHANCES NA ETAPA INICIAL E ABRE BOA VANTAGEM

As duas equipes entraram com propostas claras. No duelo de estilos, a Macaca se sobressaiu no primeiro tempo. Enquanto o Guarani valorizava a posse de bola e buscava o controle da partida, a Ponte Preta esperava o erro do adversário. Em um jogo até então bastante truncado, as poucas oportunidades foram da Ponte, que conseguiu aproveitar as falhas da defesa rival. Aos 18 minutos, Zanacelo finalizou de fora da área e a bola explodiu na trave. Aos 41, Alisson ficou livre de marcação e cabeceou com força para o fundo das redes. Minutos depois, após novo escanteio, o zagueiro Romércio bloqueou a passagem da bola com o braço dentro da área, ou seja, pênalti. Roger bateu e ampliou a vantagem pontepretana no placar. Os 2 a 0 davam indícios de que o tabu se manteria.

Roger foi um dos personagens do dérbi 196 — Foto: Álvaro Jr/ PontePress
Foto: Álvaro Jr/ PontePress

GUARANI REAGE E CONSTRÓI A VIRADA COM DEDO DE CARPINI

O Bugre fez o gol de honra logo aos 10 minutos do segundo tempo. Júnior Todinho completou linda bicicleta de Lucas Crispim. As modificações realizadas pelo jovem treinador Thiago Carpini deixaram o time mais ofensivo. O Guarani pressionava, mas também acabava se expondo e dando espaço para os contra-ataques do rival.

Na parte final de jogo, o Guarani confirmou o melhor momento. Após boa troca de passes, Juninho chutou com precisão e empatou a partida aos 35 minutos. A virada veio aos 43, com belo chute colocado do lateral-esquerdo Thallyson, soltando um grito que estava entalado na garganta fazia algum tempo. A vitória por 3 a 2 encerrou um tabu que durava quase oito anos. A última vitória do Guarani sobre o maior rival havia sido na semifinal do Campeonato Paulista de 2012, também no Brinco de Ouro.

Foto: David Oliveira/GuaraniPress

BRIGA PÓS-JOGO E PROVOCAÇÕES

O atacante Roger se sentiu incomodado com a atitude do goleiro Jefferson Paulino, que aplicou um chapéu com o jogo parado. Esse acontecimento foi o estopim para uma briga generalizada que culminou na expulsão do próprio Roger.

Na coletiva de imprensa após a partida, o técnico Thiago Carpini aproveitou para rebater provocações do comandante adversário:

“E a gente volta a vencer um dérbi depois de muito tempo. É mais um tabu que a gente quebra, mas a gente vai buscar coisas maiores. Hoje o time amador, como foi colocado na entrevista na SporTV, venceu a equipe profissional. Então dessa vez o presidente não vai subir fazendo samba, como ele falou na final da Série B do ano passado, quando a gente estava em um momento de muita dificuldade. Então o choro é livre. Feliz demais, entusiasmado pela vitória”

O presidente da Ponte Preta também não escapou:

“E um abraço ao presidente Peter Pan, lá de cima, da Terra do Nunca. Feliz demais. Esse grupo merece, não sou eu. A minha parcela é muito pequena, a do grupo é demais. E mais que tudo isso, agradecer e glorificar a Deus por essa vitória e por esse momento. E coisas muito maiores estão por acontecer”

Carpini
Foto: Daniel Mafra/EPTV

SITUAÇÃO DE MOMENTO

O Guarani chegou aos 16 pontos e é o vice-líder do grupo D. Faltando duas rodadas, o Bugre só depende dele para avançar para a próxima fase. A Ponte vive em situação oposta. Na lanterna do grupo A, o alvinegro de Campinas precisa desesperadamente de uma vitória para escapar do vexame do rebaixamento. Porém, agora está tudo em segundo plano.

Com a crise mundial e todo o cenário apocalíptico que enfrentamos, é difícil saber se ainda haverá disputa em 2020. O futebol foi colocado em quarentena, e nós teremos que lidar com isso por um tempo.

FICHA TÉCNICA

Guarani 3×2 Ponte Preta

Local: Brinco de Ouro da Princesa, Campinas (SP)

Data: 16 de março de 2020, segunda-feira

Horário: 20h00 (de Brasília)

Árbitro: Salim Fende Chavez

Assistentes: Danilo Ricardo Simon Manis e Luiz Alberto Andrini Nogueira

Cartões amarelos: Eduardo Person, Lucas Abreu, Pablo (GUA); João Paulo, Yuri e Vinícius Zanocelo (PON)

Cartão vermelho: Roger (PON)

Gols: Alisson (PON), aos 35 minutos do 1º tempo; Roger (PON), aos 45 do 1º tempo; Júnior Todinho (GUA), aos 10 do 2º tempo; Juninho (GUA), aos 35 do 2º tempo; Thallyson (GUA), aos 43 do 2º tempo.

GUARANI: Jefferson Paulino; Cristovam (Rafael Costa), Leandro Almeida, Romércio, Thallyson; Lucas Abreu, Eduardo Person (Marcelo), Lucas Crispim; Giovanny (Juninho), Pablo e Júnior Todinho.

Técnico: Thiago Carpini

PONTE PRETA: Ivan; Jeferson, Alisson, Henrique Trevisan, Yuri (Cléber Reis); Dawhan, Bruno Reis (Apodi), Vinícius Zanocelo, João Paulo; Alisson Safira (Bruno Rodrigues) e Roger

Técnico: João Brigatti

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