Tricolor encara o Deportivo Riestra na Argentina para encerrar jejum de 100 dias fora de casa e assumir o topo da Sul-Americana

O Grêmio entra em campo na noite desta terça-feira (5) para enfrentar o Deportivo Riestra em um confronto decisivo pela fase de grupos da Copa Sul-Americana, no Estádio Nuevo Gasómetro, em Buenos Aires, com o apito inicial agendado para as 19h (horário de Brasília).
Para o torcedor que pretende acompanhar as emoções deste duelo internacional, a transmissão ocorre pelos canais oficiais detentores dos direitos do torneio, em uma partida onde o clube brasileiro busca reafirmar sua autoridade continental e conquistar três pontos fundamentais que podem garantir a liderança isolada da sua chave, superando tanto o adversário argentino quanto as desconfianças que cercam o atual (e longo para os padrões brasileiros) estágio de maturação da equipe na temporada de 2026.
Tensão e diálogo na chegada a Buenos Aires
A delegação gremista desembarcou em solo argentino sob um clima de cobrança e expectativa. Um pequeno grupo de torcedores protestou na porta do hotel de concentração, manifestando insatisfação com a irregularidade apresentada pela equipe nas últimas semanas.
O treinador, em um gesto de liderança e transparência, decidiu encarar o grupo de manifestantes pessoalmente para explicar o momento de transição que o clube atravessa. Durante a conversa, ele enfatizou que o Grêmio executa um plano de reconstrução profunda, o que exige paciência da arquibancada enquanto as peças novas assimilam a filosofia de jogo e o peso da camisa tricolor em competições de tamanha exigência física e mental.
A justificativa técnica para as oscilações reside na mudança drástica do plantel em relação ao ano anterior. Atualmente, apenas poucos jogadores remanescentes da última temporada compõem o time titular, e todos exercem funções diferentes das que desempenhavam anteriormente.
Dentre eles, Noriega, que antes atuava apenas na contenção, agora alterna entre a zaga e a volância; Willian assumiu a função de meia-ponta para dar mais velocidade à transição; e Arthur permanece como volante, embora enfrente um período de grande instabilidade técnica. Essa metamorfose tática demanda tempo de treinamento, algo escasso em um calendário que exige resultados imediatos tanto no Brasileirão quanto na Sul-Americana, onde cada erro custa caro na tabela.
O Jejum: o Tricolor não vence a mais de 100 dias como visitante
Para além das questões táticas, o Grêmio carrega para o gramado do Nuevo Gasómetro o peso de um tabu histórico e incômodo. O clube não celebra uma vitória fora de casa desde o dia 21 de janeiro de 2026, quando bateu o Guarany de Bagé por 2 a 0 pelo Campeonato Gaúcho.
Desde aquele triunfo, o time acumulou 12 partidas consecutivas sem vencer como visitante, somando sete derrotas e cinco empates. Esse retrospecto negativo resulta em um aproveitamento baixíssimo de apenas 13,88% dos pontos disputados longe de Porto Alegre, evidenciando uma dificuldade crônica da equipe em controlar o ritmo das partidas quando não conta com o apoio massivo de sua torcida na Arena.
Estatísticas e a busca pela eficácia ofensiva
Os números detalhados desse jejum revelam uma equipe que luta para manter o equilíbrio, mas falha nos momentos decisivos. Nas últimas cinco saídas, o Grêmio empatou sem gols contra Athletico-PR, Palestino e Internacional, mas sofreu derrotas desastrosas para os também oscilantes Cruzeiro e o Montevideo City Torque (URU).
A falta de pontaria e a dificuldade em construir jogadas de perigo sob pressão adversária explicam a marca de mais de 100 dias sem vitórias fora de seus domínios. Quebrar essa sequência nesta noite (5) não representa apenas um ganho estatístico, mas um alívio psicológico necessário para que o grupo recupere a confiança e mostre que pode competir em alto nível em qualquer estádio do continente.
Desfalques e instabilidade no setor defensivo
A missão de vencer o Riestra torna-se ainda mais complexa devido às ausências importantes no elenco. O departamento médico confirmou que Marlon e Arthur permanecem fora de combate devido a lesões, o que retira do treinador opções vitais de experiência e marcação no meio-campo. No caso de Arthur, a lesão agrava um cenário de incerteza, já que o jogador ainda não conseguiu estabelecer uma sequência sólida de boas atuações deste seu retorno ao time do Bairro Humaitá.
A boa notícia, no entanto fica pela confirmação de retorno de Gustavo Martins, recuperado de lesão e que pode atuar na zaga ou lateral conforme estratégia montada para a partida de logo mais.
A batalha pela liderança do Grupo F
Apesar de todos os obstáculos, a recompensa para uma vitória hoje é a liderança isolada do Grupo F. O Grêmio entende que assumir o topo da tabela neste momento da competição garante uma vantagem estratégica para as rodadas finais, permitindo uma gestão melhor do elenco e da carga física dos atletas.
O grupo foca na manutenção da posse de bola e na compactação defensiva para anular as investidas do Deportivo Riestra, que certamente tentará explorar o nervosismo gremista. O técnico exige que os jogadores mantenham a cabeça fria e utilizem a velocidade de Willian e a polivalência de Noriega para ditar o ritmo do confronto e silenciar o estádio adversário desde os minutos iniciais.
É noite de Copa, um cenário onde a mística tricolor e o peso da história costumam falar mais alto do que qualquer estatística negativa ou dúvida momentânea. No gramado do Nuevo Gasómetro, sob o céu carregado de Buenos Aires, o Grêmio reencontra a sua essência de luta, onde cada bola dividida representa a honra de uma camisa multicampeã da América.
O ar gélido da capital argentina exige que o atleta gremista transforme a pressão dos protestos em combustível para a superação, esquecendo o jejum de 100 dias para escrever um novo capítulo de glória. Quando a bola rolar às 19h, a alma copeira deve guiar cada passe e cada desarme, pois em noite de Sul-Americana, o Imortal não apenas joga; ele batalha, ele sofre e, acima de tudo, ele busca o caminho da vitória com a garra de quem nunca se entrega.