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Alex Bruno, campeão mundial pelo São Paulo, fala sobre toda a sua carreira

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Com passagens por Santo André, São Paulo, Botafogo, entre outras equipes, Alex Bruno acumula em seu currículo diversos títulos, entre eles, Copa do Brasil, Libertadores e Mundial. O jogador bateu um papo exclusivo com a nossa equipe, onde falou sobre toda a sua carreira. Confira na integra.

Esportes Mais: Bom, vamos começar falando do Tricolor. Como foi seu sentimento ao chegar ao São Paulo?

Alex Bruno: Chegar ao São Paulo foi a realização de um sonho, por que na minha adolescência o São Paulo também ganhou tudo. Tive outras propostas dos maiores de São Paulo e optei pelo São Paulo. Fui bem feliz e não tenho nenhum tipo de arrependimento, fui muito feliz ali e agradeço a todos do clube.

Esportes Mais: Como era atuar naquele time de 2005, com estrelas como Amoroso, Ceni e Luisão?

Alex Bruno: Era um time fera, fácil de jogar. A gente se entendia muito bem, time de craques, Luizão, Amoroso, Rogério, Junior, Fabão, Lugano, Josué, Mineiro, Cicinho, Danilo, fora os meninos que estavam surgindo, tinha Tardelli, Fabio, Edcarlos. Eu na época era um menino, era um, time maravilhoso, ficou muito fácil jogar ali.

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Esportes Mais: Você pegou uma época muito vitoriosa no São Paulo, como foi ganhar a Liberadores e Mundial? Tem ideia do tanto que vocês daquele time marcaram a vida de muitos torcedores?

Alex Bruno: Olha, caiu a ficha mesmo da importância do título, dos torcedores, foi na nossa chegada ao Brasil.  A gente sabia que era uma coisa única, você ganhar uma Libertadores e depois Mundial, realmente é de um peso enorme. Mas depois que chegamos ao Brasil e vimos a festa dos torcedores no aeroporto, o são-paulino parou tudo, aí a gente realmente viu o sentimento e a importância daquele título que é lembrado até hoje. Agradeço a Deus por ter feito parte disso tudo.

 

Esportes Mais: Como era a sua relação com a torcida do São Paulo? E hoje em dia, você ainda é tratado bem?

Alex Bruno: Uma relação muito boa porque a gente ganhava tudo. A defesa era uma das menos vazadas todos os anos, uma defesa muito forte, e graças a Deus a gente teve paz com os torcedores, nem vaia nunca tomamos ali, foi tudo muito bom. Até hoje quando algum são-paulino reconhece, sou muito bem tratado e tenho um carinho enorme por eles e vice-versa.

Esportes Mais: Qual foi o seu jogo mais marcante com a camisa do São Paulo?

Alex Bruno:  Foi o da primeira final da Libertadores, no Sul, que eu fui muito bem, mas o “mais” marcante foi a volta na Libertadores, em casa, onde fomos campeões.

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Alex Bruno, Miranda, Alex Silva e André Dias, durante treinamento no SPFC

Esportes Mais: Como era os bastidores daquele time campeão da Libertadores?

Alex Bruno: Era um time muito concentrado, muito amigo, conversávamos muito sobre o jogo e sabíamos se divertir também, mas hora que tinha que conversar e ser sério, éramos muito sérios, nos respeitávamos, tanto é que deu tudo certo naquele ano.

Esportes Mais: Você, Lugano, Fabão e Edcarlos, formaram uma das melhores defesas da história do Clube. Qual era o segredo para tanto sucesso?

Alex Bruno: O segredo daquela defesa era se respeitar. Cada um dava o seu melhor nos treinos, no dia a dia, no trabalho, mas a gente respeitava quem o treinador tinha que colocar para jogar e respeitava não só como treinador e sim como amigo (treinador). Respeitávamos o companheiro quando tinha que jogar no seu lugar. Era uma defesa muito forte e a gente se dava bem dentro e fora de campo. Até hoje é uma das melhores defesa que passou no São Paulo, tínhamos treinadores também maravilhosos e todos que a gente pegou ali trabalharam muito a defesa.

 

Esportes Mais: Como era ver o Morumbi lotado nos jogos da Libertadores?

Alex Bruno: Sensação única. Você jogar com o Morumbi lotado jogos importantes, e nosso time gostava de jogos assim, então quando entrava naquele Morumbi lotado você tem aquela tremedeira, aquele frio na barriga antes da partida, mas depois que rola a bola você esquece tudo.  Tenho muitas saudades disso.

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Esportes Mais: Em 2005, o seu melhor amigo era o Cicinho, mas todos do elenco tinham muito contato, como uma família. Vocês se falam até hoje?

Alex Bruno: Realmente o Cicinho era o meu melhor amigo naquele tempo, eu era amigo de todos, mas convivia muito com o Cicinho e hoje falo com a grande maioria. A gente tem um grupo no WhatsApp dos campeões Mundial e da Libertadores. Falo sempre com o Edcarlos, Fabão, mas como é o destino cada um mora em uma cidade, uns jogando outros não, mas a gente só se fala pelo WhatsApp mesmo, se encontrar é raro.

Esportes Mais: Qual foi o sentimento no vestiário após a vitória sobre o Liverpool no Mundial de clubes?

Alex Bruno: Foi um jogo de sofrimento até o final e depois que a gente foi campeão, que o juiz acabou o jogo, a gente comemorou, fizemos a festa no vestiário, uma alegria entre todos ali que não dá para explicar. A festa foi até altas horas da manhã, mas estávamos loucos para vim para o Brasil e comemorar com a torcida.

 

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Esportes Mais: Como você vê o Rogério Ceni como treinador?

Alex Bruno: Acho que o Rogério tem um futuro enorme pela frente, é um líder nato, melhor líder que eu peguei em toda minha carreira. Ele vai ter uma carreira de muito sucesso, espero que dê tudo certo e que a diretoria tenha paciência para ele acertar esse time. Tenho certeza que ele vai ser um vitorioso e espero que fique muito tempo no Tricolor.

Esportes Mais: Após 2006, você teve algumas lesões graves e acabou sendo emprestado algumas vezes. Sente alguma mágoa do Clube?

Alex Bruno: Sou muito grato por tudo no São Paulo. Realmente me machuquei, tive três lesões sérias de tornozelo, mas não tenho mágoa nenhuma, me emprestavam por que tinham outros jogadores, e eu estava voltando de lesão e tinha que pegar ritmo de jogo, era um processo natural do futebol.

Esportes Mais: Quem era o mais resenha, o mais “sério” e o mais engraçado do elenco de 2005?

Alex Bruno: O mais resenha que eu achava era o Junior, lateral, e o Souza. O mais sério o Mineiro, não tenho dúvidas disso, era o mais tranquilo. O mais engraçado era o Junior também, você “rachava” com ele.

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Esportes Mais: Qual o jogador mais complicado que você já marcou?

Alex Bruno: Eu marquei alguns jogadores complicados, alguns atacantes muito bons, mas o que me deu mais trabalho foi o Nilmar, em 2005. Jogador muito rápido, habilidoso. Ganhamos o jogo, mas ele deu um trabalho muito grande para nós.

Esportes Mais: Você ganhou uma Taça São Paulo de Futebol em 2003, pelo Santo André. Como foi para você? Se lembra quais daqueles jogadores vingaram no futebol?

Alex Bruno: Essa Taça São Paulo realmente foi o que mudou a minha vida, foi um divisor de águas. A gente já tinha “estourado” a idade e a Taça São Paulo mudou tudo por que ninguém esperava o Santo André campeão. Muitos jogadores vingaram, tinha o Richarlyson, Nunes, Rafael Cruz lateral, Junior goleiro que está no Bologna, Gabriel zagueiro, tinha muitos bons jogadores, uns não vingaram, mas a grande maioria hoje está em clube e muito bem graças a Deus.

 

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(Foto: Diário Online)

 

Esportes Mais: Como descrever a sensação de ter sido campeão pelo Santo André, derrotando o Flamengo, com o Maracanã lotado?

Alex Bruno: Ter sido campeão pelo Santo André em cima do Flamengo, com o Maracanã lotado, foi um sentimento único, uma coisa que ninguém esperava.  A gente estava acostumados a jogar com estádio com mil pessoas e chegar lá com oitenta, noventa mil e fazer a festa lá dentro, é uma coisa que comparo a Libertadores. Até hoje tenho aquilo na minha memória, foi bom demais também fazer parte dessas conquistas com o Santo André.

Esportes Mais: No segundo jogo na final da Copa do Brasil, onde você foi eleito um dos melhores em campo, suã mãe lhe fez uma ligação falando sobre o seu pai. Como você reagiu a isso?

Alex Bruno: Difícil, a gente em um momento muito feliz, momento de alegria pura, a minha mãe foi para o estádio e assistiu aquele jogo, foi de ônibus para lá e depois do jogo recebi a ligação dela para falar do meu pai. A gente não consegue segurar a emoção, as lagrimas, o sentimento que veio. É agradecer a ele por ter me incentivado a ficar no futebol, por ter me dado caráter e tudo.

Esportes Mais: Sua passagem pelo Marília ficou marcada por um “calote”, e você acabou pegando uma dengue. Como você se sentiu no clube, se arrepende?

Alex Bruno: O Marília realmente foi uma passagem muito ruim, pois o clube recebeu o dinheiro da federação e não repassou para nós jogadores. Foi triste e eu fui embora no quarto jogo, a gente já sabia que o time não iria ganhar nada, os jogadores não tinham cabeça para jogar ali, era uma briga o tempo inteiro. Realmente se eu soubesse antes não teria ido para o Marília, um time de uma cidade maravilhosa, com uma história maravilhosa, mas infelizmente naquele ano a diretoria foi muito incompetente, infelizmente não souberam administrar.

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Esportes Mais: Você jogou em Portugal, no Nacional. Como foi sua passagem por lá?

Alex Bruno: No Nacional eu comecei muito bem, mas me machuquei lá e tive que fazer uma cirurgia, foi rescindi o contrato e voltei para o Brasil, onde joguei no Sport. Fiquei pouco tempo no Nacional.

Esportes Mais: No começo da sua carreira, como foi se passar por um “dirigente” naquela ligação do Ari Mantovavi, e indicar a sua própria contratação?

Alex Bruno: Eu estava no começo de carreira, estava na Inter de Bebedouro, seis meses sem receber, e aí recebi uma ligação do diretor do Santo André querendo falar com o preparador de goleiros, para ir atrás de goleiro e eu me passei por um diretor e fiz meu marketing, falei que tinha um zagueiro muito bom, que era bom eles observarem, era um jogador rápido, técnico, fazia gol (risos). Na hora que eu passei para o preparador, ele (Ari) perguntou do zagueiro e o preparador confirmou, então eu fui fazer o teste no Santo André e aconteceu tudo isso aí (risos).

Esportes Mais: Você é de uma época onde era normais as comemorações “provocativas”. Hoje em dia, estão banindo do futebol. Como você vê isso?

Alex Bruno: Realmente, não só as comemorações, mas os jogadores falavam o que pensavam, era outra época que se tem saudades e, hoje em dia, tudo mudou e temos que acompanhar o ritmo. Jogadores de hoje tem uma assessoria muito forte por trás, tem uma imagem. Eu gosto do futebol provocativo, mas tem hora que o torcedor não entende, é muito complexo, mas você sente falta de jogadores como os das antigas.

Esportes Mais: Como você avalia sua passagem pelo Botafogo em 2007?

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Alex Bruno: O Botafogo de 2007 se compara ao São Paulo, só que a diferença é que no São Paulo a gente ganhou tudo, mas o Botafogo tinha grandes craques, futebol maravilhoso, todo mundo foi para time grande depois, mas não entramos para a história do clube, pois não ganhamos nada. Mas todo mundo que lembra daquele time fala até hoje que o time jogava bonito, realmente era um time muito bom.

Esportes Mais: Como está o Alex de hoje?

Alex Bruno: Hoje em dia é um Alex que tem uma pizzaria, que assisti e joga futebol todo dia com os amigos. Estou para retornar agora para um time da minha cidade, vamos ver. Estou curtindo a família, a esposa, é sempre bom depois de uma longa carreira a gente poder curti a vida, pois quando somos jogador a nossa carreira é maravilhosa, mas a gente tem pouco tempo com os filhos, família. Então hoje eu estou podendo curtir esse outro lado.

Colaborou: @jooao_castro

Wesley Contiero (948 Posts)

Jornalista, 24 anos, natural de Lins, Interior de São Paulo.


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