Gino Orlando, uma lenda desconhecida

Conheça a história de Gino Orlando, lendário atacante tricolor nas décadas de 50 e 60.

Paulistano, do Brás -porém de filho de família italiana- Gino nasceu em 1929. Perdeu o pai cedo, abandonou os estudos e cedo já iniciava a vida profissional. Trabalhando no Edifício Matarazzo (Banespa) e IBC.

Até mesmo pela descendência, era palmeirense junto de sua família. Mesmo clube onde começou sua vida desportiva nas categorias de base. Porém, pouco durou a trajetória em seu clube do coração, profissionalmente foram apenas quatro jogos de 1950-1951, não marcando um gol sequer.

Também passou pelo Comercial e XV de Jaú, onde não fez muito. Contudo em 1952, chegou ao time onde chegou ao maior sucesso, o São Paulo Futebol Clube. No começou até teve que contar com insatisfação da própria família, que como a própria matéria diz era predominantemente palestrina.

Gino assinando seu contrato com o São Paulo Futebol Clube

“Claro que à época eu era palmeirense, porque tios, tias, primos, inclusive meus pais quando vivos eram do Palestra Itália, eu sou descendente de italiano, e aí aquele que fosse descendente de italiano e torcesse pra outro clube, não admitiam. Hoje não existe mais isso, mas com o decorrer do tempo… Eu estou rindo porque me faz lembrar tanta coisa, e passei para o São Paulo, e jogando São Paulo contra o Palmeiras, você sabe que eu estou automaticamente lutando contra a família. Eu já não tinha mais meu pai e ele eu acho que nunca ia admitir, mas eu tinha que discutir com parente: tios, tias, primos principalmente… Que eu tenho um primo que é conselheiro vitalício do Palmeiras, o nome dele é Waldemar Marchetti, brigava comigo, e eu dava sorte quando o Palmeiras, a maior parte das vezes que fizemos esse clássico eu tinha a sorte de fazer um gol, no mínimo um gol! Então era uma briga com a família” disse o atacante.

Porém, o descontentamento da família não o impediu de se tornar um goleador nato no Tricolor. Onde marcou 238 gols em 447 jogos. Sendo o segundo jogador a mais balançar as redes com a camisa são paulina. E o décimo primeiro jogador que mais vezes defendeu o clube paulista. Dos jogos que disputou, ganhou 250, empatou 96, e perdeu 101 vezes.

Porém, não conquistou tantos títulos e infelizmente é pouco conhecido pela torcida são paulina. Foi campeão apenas duas vezes do Campeonato Paulista, mais especificamente em 1953 e 1957 e jogou por 10 anos no clube. De 1952-1962.

Jogadores comemoram, na final do Paulista de 1957 que foi vencida diante do arqui-rival Corinthians

Seleção Brasileira:

Pouco utilizado na época, Gino foi convocado apenas 8 vezes e anotou três gols com a camisa amarelinha. Sendo um deles histórico, de bicicleta na vitória sobre os lusitanos em 1957. Sendo o primeiro tento anotado dessa forma em Portugal.

Gino defendendo a seleção brasileira

Último jogo: 

O último jogo que Gino defendeu a camisa do São paulo, também contou com outra despedida. O goleiro Jose Poy fazia sua última exibição no mesmo dia. O jogo foi contra o Guaratinguetá e os donos da casa venceram por 3-0.

 

São Paulo FC 3 x 0 Associação Esportiva de Guaratinguetá

São Paulo: Jose Poy; De Sordi, Jurandir e Riberto; Roberto Dias e Cido; Faustino, Baiano, Gino Orlando, Benê e Sabino. Técnico: Osvaldo Brandão

Esportiva: Lamim, Benedito, Hélio Macedo, Walter, Rubens, Cetale, Gerson, Adelson, Mauro, Carlos, Gilson  

Gols: Cido, Gino Orlando e Benê


 

Morumbi:

 

 

Após sua aposentadoria dos gramados, o São Paulo como gratidão, ofereceu o cargo de administrador do Estádio Cicero Pompeu de Toledo, onde trabalhou até a seu falecimento em 2003.

Gino com 64 anos, em 1993. No Morumbi.

Falecimento:

Faleceu em abril de 2003, o ex jogador estava internado no Hospital do Coração. Onde foi submetido a cirurgia no tórax. Gino faleceu devido a uma parada cardíaca, na época tinha 75 anos.

Para nós tricolores, nos resta agradecer. Por tudo que fez ao São Paulo Futebol Clube.

 

João Carneiro

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