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This Is The One: Manchester United dos anos 90

Mourinho

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Entenda a importância do time do Manchester United dos anos 90 durante a ascensão da cidade como um centro cultural para a Inglaterra e o mundo

Muitos brasileiros resumem o Manchester United da década de 1990 apenas pela vitória na final do mundial de clubes em cima do Palmeiras em 1999. O time montado por Sir Alex Ferguson, no entanto, representou muito mais para a cidade em si. Junto com talentosas bandas como Oasis e The Stone Roses, a equipe ajudou a colocar a região de volta no mapa cultural e esportivo, após anos de obscuridade e declínio econômico.

Para entender o contexto em questão, é necessário dar uma olhada no cenário político inglês. Margaret Thatcher, a Dama de Ferro, foi primeira-ministra entre 1979 e 1990. Devido a sua política neo-liberal, o norte da Inglaterra entrou em um declínio acentuado durante a década de 1980. Cerca de quatro milhões de britânicos perderam seus empregos, fábricas foram fechadas, criando uma geração de jovens insatisfeitos. Manchester era tida como a parte pobre do país, como se não de bom poderia sair de lá.

Com todo esse clima de derrota, começou um forte movimento de rock alternativo na cidade nos meados dos anos 1980, anti-governo e todas ideologias da indústria de massa norte-americana. O ponto alto foi na virada de 1989 para 1990, quando surgiu o “Madchester” (Mad = loucura, febre; Chester = cidade de Manchester), um conjunto de bandas da cidade que tocavam uma mistura de acid house, rock e vários outros estilos. Pode-se citar The Charlatans, Inspiral CarpetsHappy Mondays (que chegou a fechar uma das noites do Rock In Rio 2) e a principal The Stone Roses.

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The Stone Roses

Com o seu debut de mesmo nome, os Stone Roses despontaram como a próxima grande britânica, um verdadeiro orgulho para a cidade. Mas como toda grande história, teve um final triste: por causa de problemas contratuais, a banda não pode tocar, nem ao mesmo ensaiar por dois anos. Apenas em 1994, cinco anos depois do primeiro trabalho, os Stone Roses lançaram material novo, porém não era a mesma coisa. Ficou em sentimento entalado na garganta do pessoal de Manchester, como se ainda não tivessem conseguido se tornar “relevantes”.

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AnosEis que no mesmo ano de 1994, após a “queda” do grunge com a morte de Kurt Cobain, Oasis, uma banda de filhos de operários da cidade, lançou Definitely Maybe, seu disco de estreia, e logo tornou-se um grande sucesso. Inspirados por Beatles, Sex Pistols e pelos próprios Stone Roses, o grupo dos irmãos Gallagher assumiu o posto de grande esperança musical de Manchester. Após uma “batalha” com Blur, Oasis tornou-se não apenas a maior banda da Inglaterra, mas a maior banda do mundo com o seu segundo álbum: (What’s The Story) Morning Glory?, de 1995. Finalmente, após anos de obscuridade a cidade tornara-se relevante no cenário cultural.

 

Ao mesmo tempo da ascensão cultural da região, o futebol também se reinventava. Sir Alex Ferguson assumira o Manchester United em 1986 e desde então começou um processo de reformulação no clube. Logo que entrou, o técnico escocês expandiu as categorias de base dos “red devils” e tentou reorganizar a equipe, ainda sofrendo por sempre estar na sombra dos “Busby Babes”. Os “Busby Babes” é considerado o maior time da história do United, que teve um fim trágico naquele acidente aéreo em 1958 na cidade de Munique e torcida nunca conseguiu se recuperar do trauma de maneira plena.

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Lista de mortos do horrível acidente aéreo de 1958 em Munique que acabou com os “Busby Babes”.

Os primeiros anos foram difíceis para Ferguson. Reza a lenda que o lendário treinador só não caiu porque venceu o Crystal Palace na final da F.A. Cup de 1990. A mesma temporada 1989/90 começou a mudar a perspectiva do Manchester United, com altos investimentos em contratações. Naquele ano foram contratados o ponta Danny Wallace, os meio-campistas Neil Webb e Paul Ince e o zagueiro Gary Pallister.

Vale deixar claro que ao mesmo tempo que tais contratações estavam sendo feitas, os investimentos nas categorias de base continuaram. No ano seguinte, o galês Ryan Giggs, de 17 anos, estreou no time principal e era visto como a maior joia da base desde George Best. Temporada por temporada, o time melhorava. Em 1991/92 a equipe foi campeã, vencendo o Red Star (Iugoslávia), da Copa da UEFA, mas perdeu o título nacional para o rival Leeds United.

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Foto da “Class of 92”, geração de jogadores talentosíssimos que subiu para os profissionais em 1992.

Eis que chegou o cabalístico ano de 1992. Não foi apenas o primeiro ano da nova liga, a Premier League, criada pelos clubes contra a Football Association para tentar maiores e melhores contratos televisivos. Também foi ano que o ano em que Eric Cantona, vindo do rival Leeds United, chegou a Old Trafford. Para completar, também foi o primeiro ano de inúmeros jogadores que viriam ser a base da seleção inglesa; pode-se citar caras como o volante Nick Butt, o meio campista Paul Scholes, os laterais Gary e Phil Neville e o meia David Beckham.

Quer mais ainda? O Manchester United venceu o título da liga pela primeira vez desde a temporada 1966/67, ainda com Matt Busby como treinador. A conquista, junto com o cenário musical da época, fez com que os habitantes da cidade começassem a acreditar que era possível uma renascimento da região. Desde a década de 1960, Manchester enfrentava por um declínio e via Liverpool, sua vizinha e rival, tomar como o centro das atenções.

Começou aí um verdadeiro domínio dos “red devils” no campeonato nacional. Na verdade, no período Premier League, o Manchester United ficou apenas uma temporada fora do top 4, bem na temporada seguinte da aposentadoria de Ferguson. Foram treze títulos, o que fez a equipe de Old Trafford passar o Liverpool como o time com mais conquistas.

Durante esse período de sucesso, até mesmo o Manchester City, “irmão pobre” do United, tirou proveito da fama da cidade. Liam e Noel Gallagher são torcedores fanáticos da equipe e sempre apoiaram o time nos piores momentos. Em meados de 1996, o Oasis, no auge da fama da banda, fez dois lendários shows no Maine Road, antigo estádio dos Citzens, ajudando a promover o clube que já não ia tão bem nas pernas.

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Liam e Noel Gallagher: torcedores de longa data dos Citzens.

Em relação ao Manchester United, a temporada 1994/95 foi decesiva para o futuro do time. Os “red devils” venderam Paul Ince, Mark Hughes e Andrei Kanchelskis, cuja venda só foi concretizada na temporada seguinte. Também foi o ano que Eric Cantona foi suspenso por oito meses depois de agredir um torcedor adversário no meio de uma partida. Cantona ainda, de forma surpreendente, se aposentou após a temporada 1996/97.

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Lance que gerou a suspensão de oito meses para Eric Cantona.

No meio dessa crise, Ferguson decidiu apostar nos pratas da casa para remontar a equipe. Que isso sirva de lição para o treinadores brasileiros que não acreditam na base de seus clubes e preferem gastar fortunas em jogadores no mesmo talento ou até piores do que já têm.

Mas sem dúvidas nada se compara à temporada 1998/99, o ano da tríplice coroa. A equipe ganhou, nada mais nada menos, os três grandes campeonatos disputados: a Premier League, a F.A. Cup e a UEFA Champions League.

Tem dois jogos sensacionais que resumem a grandeza desse time. Semi-final da F.A. Cup, jogo replay contra o Arsenal e afinal da UEFA Champions League contra o Bayern de Munique. Beckham abriu o placar, mas Dennis Bergkamp logo empatou para os Gunners. Já avançado no segundo tempo, Phil Neville comete um pênalti. Bergkamp, com a chance de liquidar a fatura e a temporada perfeita dos “red devils”, joga nas mãos de Schmeichel. Com quem não faz, toma, Ryan Giggs, que havia entrado no meio da partida, pegou a bola da intermediária defensiva, driblou metade do time do Arsenal e marcou um verdadeiro golaço. Manchester venceu por 2 a 1 e avançou para final contra o Newcastle.

Penso que até mesmo quem não gosta de futebol já ouviu falar da final da Champions League entre Manchester United e Bayern de Munique no Camp Nou em 1999. É uma daquelas partidas quem deve ser vista uma vez por ano para nos lembrar o quão sensacional esse esporte é. Os alemães abriram o placar com uma bela cobrança de falta de Mario Basler. O resultado manteve-se até aos acréscimos quando Teddy Sheringham, que entrou no segundo tempo, empatou a partida. Logo depois, ainda nos acréscimos, Ole Gunar Solskjaer, outro substituto, anotou o gol da virada que sacramentava a vitória dos “red devils”. Assistindo a partida você que foi um milagre o que aconteceu e que depois do gol de Sheringham, nada poderia parar o time inglês.

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Solskjaer (Nº 20) comemorando o gol da vitória na final da Champions.

Meses depois a equipe jogou o Mundial de Clubes contra o Palmeiras em Tokyo e venceu por 1 a 0, gol de Ryan Giggs após falha grotesca de Marcos. Foi assim que terminou um dos maiores anos de um time de futebol. Você pode falar que os timaços do Barcelona e Real Madrid são melhores que o United de 1999, mas lembre-se do que a equipe inglesa representa para a cidade de Manchester.

Vocês podem estar se perguntando sobre o título. Bom, “This Is The One” é uma das canções do disco de estreia dos Stone Roses e que logo virou um hino para os torcedores do time. Como Ian Brown canta no refrão: “This is the one/ This is the one/ This is the one/ This is the one I’m waitin’ for”. Acho que isso pode resumir bem o que o Manchester United representou para sua cidade e para o futebol inglês em geral.

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Scholes disputando com Alex na final do Mundial de Clubes entre Man United e Palmeiras.

Por Pedro Pacola

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Pedro Pacola (100 Posts)


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