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Quando lhe disserem: “É só futebol”, lembre-se da história de Raquel Guimarães

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Torcedora luta contra a paralisia após insucesso em procedimento cirúrgico e forças vêm de clube alvinegro

Créditos: arquivo pessoal

Nem nos piores pesadelos, a jovem Raquel Guimarães imaginaria que uma simples decisão a colocaria aposta a seu pior adversário, a luta para viver. Tudo começou após a decisão em realizar a cirurgia bariátrica, a jovem, que apesar de aparentar lidar bem com o próprio corpo, travava uma luta constante com a balança desde a infância, e encontrava dificuldades para aceitar o próprio corpo, chegando aos 120 kg Raquel decidiu que era hora de tentar o procedimento, vista tentativas falhas com dietas.

No entanto, o susto tomou conta após o insucesso do procedimento, Raquel foi vítima de um efeito colateral pós- cirúrgico, denominado deficiência da vitamina B12, um risco comum para quem se sujeita a cirúrgica bariátrica. O que parecia ser uma ‘saída de emergência’ acabou se tornando um pesadelo, a jovem precisou lidar com a desnutrição, perda de memória e atrofia das pernas, que a impossibilita de andar.

 Raquel chegou a pesar 120kg e sofria por estar acima do peso/Foto: arquivo pessoal

Em meio às dificuldades, Raquel encontrou no Botafogo a motivação para seguir em frente

Tudo teve início em 2014, com 20 anos Raquel foi submetida à gastroplastia. Seguindo todas as recomendações médicas, a jovem conseguiu perder mais 40 kg nos três primeiros meses e tudo parecia correr normalmente, porém algo começou a desandar, pequenos problemas de saúde começaram a surgir, obrigando a botafoguense a procurar o hospital por diversas vezes, os médicos, no entanto, não relacionavam as disfunções à cirurgia.

Os problemas de saúde não foram resolvidos, até que um dia a alvinegra caiu dentro de casa e perdeu a consciência. Após ter convulsões e ser levada ao hospital, foi constatada a deficiência que causou perda de memória, Raquel não conseguia se lembrar de familiares e acontecimentos do passado, mas uma antiga paixão não foi esquecida pela jovem: o Botafogo.

 

– Minha mãe me mostrou algumas fotos antigas, mas eu não conseguia lembrar direito. Na mesma visita, meu pai mostrou o escudo do Botafogo. Ele perguntou se eu lembrava daquele escudo, eu disse que era do Botafogo. Com o tempo, fui recuperando a maior parte da memória, mas ainda não lembro de muitas coisas da infância, por exemplo.

O medo e a esperança de Raquel

A rotina dentro do hospital ainda não estava terminada, Raquel passou a sentir fraqueza, formigamento e cãibra nas pernas, que começaram a se mexer sozinhas e logo depois ficaram paralisadas por uma atrofia, mais tarde veio outro diagnóstico: anemia e desnutrição, consequentes de um grampo muito apertado na cirurgia do estômago que impedia a absorção correta dos nutrientes nos alimentos. Foram mais quatro longos meses internada, sendo o primeiro deles no CTI.

 

– A única coisa que conseguia me distrair um pouco era assistir aos jogos. Até mesmo jogos antigos, eu assistia no Youtube qualquer jogo do Botafogo. Todos os jogos na TV aberta eu assistia. Eu quase acordava o hospital inteiro com os gritos (risos). Várias vezes a enfermeira achava que eu estava passando mal (risos). Quando não passava na TV, eu escutava no rádio ou meu pai ligava a câmera virada para a TV de casa, para eu conseguir assistir – conta Raquel, que precisou fazer uma dilatação no estômago depois da cirurgia.

 

Raquel Raquel no hospital quando estava sem memória/Foto: arquivo pessoal

A história de Raquel chegou até o Botafogo, que convidou a alvinegra para acompanhar alguns treinos e conhecer os jogadores. O clube também enviou vídeos com mensagens de apoio dos atletas (confira abaixo).

A torcedora destaca a força no depoimento do atacante Roger, antes do diagnóstico do tumor no rim direito: “Momentos difíceis todos passamos, mas como vamos passar é o que nos fortalece. (…) Eu acredito muito no milagre”, disse o atacante, que não atuará mais pelo Botafogo neste ano.

 Jogadores do Botafogo enviaram mensagens de apoio a Raquel, torcedora ilustre do fogão

 

 

Ainda impossibilitada de andar, a torcedora de 23 anos não se deixou impedir pela paralisia de acompanhar os jogos do Botafogo no Nilton Santos.

 

– Desde que eu voltei pra casa, todas as vezes que tinha jogo em casa passando na TV, eu chorava, porque queria ir, mas ninguém queria me levar. Um dia, minha mãe me viu chorando. Ela disse: “Nós vamos. Vamos dar um jeito lá”. Quando chegamos, pedimos aos torcedores para me tirarem do carro, porque eu precisava sair no colo para ir para cadeira de rodas. Lá dentro, o pessoal da Loucos pelo Botafogo me ajudou muito também. Nesse primeiro jogo, chorei muito, era como se eu estivesse indo ao estádio pela primeira vez. Foi uma sensação incrível.

 

 Raquel retorna ao estádio pela primeira vez/Foto: arquivo pessoal

Para retomar o movimento das pernas, Raquel já passou por uma cirurgia na perna direita, e o mesmo processo será realizado na esquerda. Daqui para frente, a jovem de 23 anos sonha em retornar a viver e, claro, torcer como antes.

 

– Voltar a andar logo, retomar minha faculdade de fisioterapia, me tornar uma fisioterapeuta esportiva e voltar a ir aos jogos do Botafogo, só que agora de pé, para retribuir, ainda mais, essa energia maravilhosa que eles vêm me passando.

 

 

Marielli Vieira (14 Posts)


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